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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Metades

Metade de mim é o que grito, desatino, falo e faço ouvir.
A outra metade é silêncio.

Metade de mim é loucura, extravagância, animação e excentricidade.
A outra metade é vergonha.

Metade de mim é cabelo, olhos , orelhas, boca e nariz.
A outra metade é pessoa.

Metade de mim são poemas, textos, visões e críticas.
A outra metade é verdade.

Metade de mim gosta de sofrer, aprecia a dor e dá-se bem com a mentira.
A outra metade ama.

Metade de mim é aparência, vislumbre, pretensão e aspiração.
A outra metade é alguém.

Metade do que sou é mãe, filha e avó.
A outra metade é desejo.

Metade de mim é mentira, engano, desilusão e tristeza.
A outra metade é sorriso.

Metade de mim é confusão.
A outra metade mais confusa é.

Metade de mim é certeza, é amor:
a outra metade és tu.

4 comentários:

Cate disse...

Rita, my babe, gostei imenso! :)

Ego disse...

Neste poema exprimes de forma singular e subjectiva os dois grandes princípios do mundo, encarnados no simbolismo do Yin e Yang da tradição filosófica chinesa.Originalmente,simbolizavam a encosta sombria e a costa soalheira de um vale, mas por extensão o Yin e Yang designam o aspecto obscuro e o aspecto luminoso das coisas, o terrestre e o celeste, o negativo e o positivo, o feminino e o masculino. Eles exprimem o dualismo e o complementarismo universal e são inseparáveis. Mas numca há oposição total, pq entre eles há sp um lapso de mutação q permite a continuidade (é o rabo de um e de outro na imagem circular). Pt, cd um de nós é tb o seu oposto e ele próprio, e é isso q permite a nossa continuidade, evolução e alternância.
Como se vê pelo teu poema, a poesia fala mais do q os tratados qd se trata de compreender o Homem e o mundo.
Bj grandes

Sofia Goulart disse...

Metade do que damos às vezes arrependemo-nos da nossa oferta...

Metade do q somos vai sendo inventado por nos, dia apos dia...

Mas a parte inteira de nos tem q ser smp cuidada... =)

Poema excepcional :D

Furiosa disse...

E ainda querem que eu consiga sequer pensar? Com comentários destes, "pára-se-me" o cérebro... d...sssss...

Baú aberto:

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Lisboa, Lisboa, Portugal
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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