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quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Obrigada


Num banco de jardim, uma velhinha: está tão só como a sombrinha que é o seu pano de fundo.

Num banco de jardim, uma velha está sozinha. Não há coisa mais triste neste mundo. Apenas faz ternura, não faz pena, não faz dor ; tem no rosto um resto de frescura.

Dos ossos fez as mesas e as cadeiras, as maneiras que a fazem estar sentada sobre o Mundo.

Um banco de jardim, uma velhinha. Nunca mais estará sozinha, o futuro está com ela!

Se essa velhinha fosse a mãe que eu tinha, não havia no Mundo outra mais bela.

Num banco de jardim, uma velhinha. Faz desenhos nas pedrinhas, que afinal são como eu ; em volta do seu banco os malmequeres e as andorinhas, provam que a minha Avó nunca morrerá.


Querida avó Fernanda, bem sei que nunca lerás isto ; também sei que palavras não passam de palavras. Quero, ainda assim, deixar-te aqui este Fado que tanto gosto. Obrigada por teres crescido sempre comigo e principalmente por teres sempre a tua mão debaixo da minha cara antes de eu adormecer. Obrigada por me ensinares a rezar, pendurada na tua varanda, a olhar o Mundo. Obrigada por brincares comigo às peixeiras - eu era bem chata, eu sei. Obrigada por me ires buscar ao Colégio com o avô. Obrigada por dizeres sempre que sou a tua netinha. Obrigada por agora, que o avô está doente, teres coragem para tratar dele, mesmo com os problemas que tu também tens. Obrigada por desabafares comigo quando nem tudo corre bem. Obrigada por teres essa coragem de estares ao lado do meu pombinho , sempre com essa tua força.

Obrigada avó,


Um beijo com todo o amor do MUNDO

3 comentários:

Cate disse...

Oh, tão querida!

Ticota disse...

Obrigada, Rita.

alexandre disse...

ritinha, se agradeces dessa forma por ela ter brincado contigo e ensinado a rezar... eu tinha de passar o resto da minha vida e mais umas quantas reencarnaçoes a cantar fados, lullabys, valsa, etc, etc......
:)
ta muito bonito rita!!!
beijinho!!!!
:)

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"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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