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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Para Sempre

Foi o bater mais triste
Daquela porta gasta pelo tempo
Foi o último bater de uma porta
Que em tempos só tu abriste...

Os teus olhos suspiraram
À falta da força que o teu corpo procurava ter
E esse doce olhar só teu
Despediu-se, já descansado, os teus olhinhos fecharam.

Quando o tempo te roubou a memória
A tua força recuperou-a...
E ainda que por breves instantes
Soubeste dignificar os teus momentos de glória...

Deixas demasiada saudade mas apesar de não estares presente há uma coisa que jamais conseguirá morrer: o teu e o meu amor por ti.

Até sempre meu pombinho!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Poemas Fernando Pessoa 1915-1917

Análogo


Não há a capela
Mas há a paz de crer-te
Só, rezando nela,
E eu sonhar-te é ver-te...

Nada disto é certo...
Sorris
E pairam perto
Nuvens de perfis...

Todos desconheço
A todos amo...
Na bruma me esqueço
E por mim chamo...

Mas cessou o canto
Que me fez sonhar
Este encanto...
Deixa-me não te achar...


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Those who never fail are those who never try


'Com a ditadura do regime

A ascensão é da burguesia

Quando o povo peca por se exprime

Salazar condena como ousadia


A história que vos conto

É duma tristeza enorme

Depois de Abril nada me afronta

Já não me espera a morte


Foi no mês da União

Que os militares se uniram

Juntos deram voz

Ao que muitos pediam


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É no silêncio do meu lar

O úniclo lugar em que consigo pensar

Ao ler um velho amigo

Ponho-me a questionar!


Estarei parado num hiato temporal em que nunca estive presente e muito menos o vivi? Pessoa tinha um génio e M. Sá Carneiro génio tinha. Mas quem definiu o que é um génio? Serei parvo por apreciar cada som do que escrevo? As palavras são como melodias e as notas que toco ninguém as entende... Triste destino.


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Portugal muits anos atrás

Partiu para os Descobrimentos

Pensava "um dia herói serás"

Mal sabia o sofrimento


Chegado ao séc. XX

Com uma noticia se deparou

Perdemos todo o requinte

Dum povo que já lutou


Oh! povo que tanto sofre

Aqui e na guerra colonial

Querem terras com alma de enxofre?

Querem humanos pintados de mal?


A consciência demitiu-se

A opressão a fez calar!

Guardaram o «saber» num cofre

Para que não o possam despertar


Volto agora ao princípio

Da história que quero contar

Foi um senhor que ao fim deu início

Com a injustiça a reinar


Era um vez um país que vivia à beira-mar

Um dia foi obrigado a viver na solidão

"Orgulhosamente sós", já dizia Salazar

Ele era absoluto, do povo se fez patrão


Foi num dia de reflexão

Que se pôs o povo a pensar

Se somos todos uma Nação

Porque nos privam de falar?


"A miséria em nós vivida

A tristeza que nos acompanha

Não é de todo merecida

Porque quem trabalha ganha"


O pensamento uniu-se num só

A força em bons capitães

Lutavam com fé os filhos

Vigiados pelas preces das mães


"Nós mulheres dos soldados

Que nesta terra vivemos

Fazemos trabalhos forçados

Esta sina não merecemos


Somos mães, filhas e avós

Andamos de braço dado

Nesta luta não estão sós

A fé está lado a lado!"


nota: inacabado.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Teoria

Inacabado.



Quando fecho os olhos à noite a rua parece mais bonita, o encanto é diferente.
De dia, o candeeiro está morto, esquecido entre a luz forte do Sol a brilhar.
Quando fecho os olhos à noite consigo abrir um horizonte na mente.
De dia, nada disso acontece: por muito que tente, a mente não consegue trabalhar.


O dia começa na noite, o Sol rompe o Céu e atinge o seu esplendor.
A noite acolhe e abraça com o maior carinho toda a suavidade do dia
.O dia é metamorfose: o branco das nuvens mistura-se com o rasgar da chuva ou com o verde da Natureza em dor
.A noite é igual, o céu só tem a cor azul, azul de coragem e personalidade fria.

Uns são dia: iguais, inconstantes, traiçoeiros.
Uns são noite: iguais, fieís, calmos, silenciosos.
Ai! Este fascínio pelo sentir silencioso da noite... Aquela visão!

As traseiras da minha casa contam histórias de encantar
É no silêncio da noite pintada com palavras que eu consigo pensar
As traseiras da minha casa têm um lugar que é só meu
Foi no silêncio da noite em calma que tudo aconteceu.

Um dia sem sono decidi sentar me sobre quem sou
E foi nas traseiras da minha casa que tudo começou
Descobri que era a única alma acordada
Ao não ver luzes de vida, a teoria estava confirmada.
Vivo num lugar isolado, onde não ha trabalho de pensar
Pensadores como antigamente começam a escassar
Eu julgo-me alguém consciente (?)
Mas no fundo, acho que sou é demente.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Na noite da minha morte


Na noite da minha morte
O silêncio voltará a teer os sons
Vais lembrar-te de toda a mágoa
Fingir ser surda ao meu encanto.




Na noite da minha morte
Ninguém sentirá o meu perfume
Há-de haver velas, lágrimas e tristeza pela casa.


E um silêncio... que voltará a ter os meus sons.


Na noite da minha morte
Mãe: talvez os teus olhos cansados de chorar sejam os únicos a ver que não parti sem me despedir.
Talvez consigas ouvir, no silêncio da nossa casa, todo o riso da minha infância.
Talvez consigas sentir, no frio adeus da minha despedida, a minha mãe na tua para conseguir adormecer.
E mesmo que não consigas entender os meus sinais, nem de onde ou porque vêm...


Talvez SÓ tu não me esqueças.






P.S: poema inspirado

Baú aberto:

Acerca de mim

A minha foto
Lisboa, Lisboa, Portugal
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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